quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Aceito Sugestões

Quero para este momento um conceito, uma palavra.
Em meio a uma imensa tempestade vejo um ponto de paz, eis sua imagem. É em torno dela própria que surge o vendaval.
O medo e a raiva de agora me lembram os medos e raivas de outrora.
Estais vivo. Mais vivo do que nunca dentro de mim.
Pode parecer frio, mas em outras outroras a fria morte foi luz.
Desejo neste momento frieza, praticidade, exatidão. Oh quão desejosa matemática!
Mas não. Algum motivo da parte Dele deve haver para ter eu saído assim, puro impulso.
Estais vivo de todas as maneiras possíveis. Meu medo e raiva são testemunhas oculares dos movimentos que você faz dentro de mim.
Podias morrer!
Que hoje não seja outrora! Que importa o futuro? Que hoje seja hoje!
Você está morrendo, morrendo. Esforço-me para te ressuscitar. Mas não sei se queres ainda viver dentro de mim.
És inquietude, causador de toda tempestade. Traga-me sua paz!
Não! Por favor, não morra.
Preciso de um conceito, de uma palavra.

domingo, 16 de agosto de 2009

Casa Iluminada

Eu estava em algo que parecia ser uma casa. Não posso afirmar que o seja, pois não vi aquele lugar por fora. Vou chamá-lo assim. Estava no 2° andar. Digo isso pois estava sentada numa janela. Parecia ser eu de menor estatura que agora. Sentada na janela o meu braço esquerdo se apoiava completamente em minhas pernas, meu cotovelo direito também, mas minha mão estava no rosto. Estava a principio numa posição de observação. Usava um vestido na altura dos joelhos, ele era simples e fresco.
Em frente à janela em que estava sentada havia um corredor, relativamente longo. Aquela casa era linda. Estranho mas percebi isso pelo corredor, não tive acesso a outros cômodos. Era tudo tão iluminado, tão iluminado! Os móveis eram todos de cor clara, tudo era muito elegante. Neste corredor havia algumas janelas (desse detalhe não lembro bem). Mas como era claro, tudo claro. Lindo! Andavas por esse corredor bem devagar. Não sei se estava com dor, tonto ou infeliz, mas pela forma como andava, às vezes encostando-se à parede, não me passava a imagem de estar muito bem.
Ao findar o corredor você chega num cômodo, que é onde estou, na janela. O cômodo era um pouco comprido. Possuía alguns móveis. Lembro-me agora de uma poltrona e de uma pequena mesa. Tudo muito elegante. Esta parte não era tão iluminada como o corredor. Havia penumbra, o que tornava o ambiente mais sereno. Da janela onde estava entrava um vento suave fazendo as cortinas se moverem. Neste cômodo do fim do corredor algumas coisas tinham detalhes verdes. E todo o lugar era enfeitado com alguns ramos pequenos de flores, bem meigas, isso dava ao lugar certo charme. Adorei aquele lugar. Você não se deu conta que eu estava ali.
Começou andar de um lado para o outro. Fazia várias coisas, tudo muito rápido. Seu ritmo mudou ao chegar àquela parte da casa. Ninou um pouco uma criança, parecia fazer poses pra fotos, mexia depois no PC, tudo muito rápido. Nem se deu conta de minha presença. Pela sua intimidade com o local percebi que aquele ambiente não era estranho pra ti como era pra mim.
Eu estava ali sentada na janela, bem de frente pra ti. Se por um lado desejava que você pudesse me enxergar por outro estava ali gostando de observar seus movimentos sem ser vista, estava engraçado. Fiquei assim por um tempo.
Desejei que você me visse em dado momento. Você me viu. Aproximou-se da janela e perguntou o que eu fazia ali. Tenho certeza absoluta que nunca estive naquele lugar. Você perguntava de forma firme, parecia nervoso. Eu dizia: “sou eu, sou eu”. Você ficou furioso. Disse que eu tinha cinco minutos pra sair daquele lugar. Imaginei que, não me reconhecendo, você pensava ser eu uma ladra ou coisa parecida. E percebi seu bom coração, tendo isso em mente poderia muito bem ter chamado alguma autoridade, um conhecido, mas me deu a chance de sair. Acho que você chegou a pegar no meu braço tentando me tirar daquele lugar, completamente desesperado.
Depois de alguns minutos você parece que caiu em si. Eu disse pela última vez, alto e forte: “sou eu”. Tu me olhaste por alguns segundos fixamente. Teve nos lábios um sorriso que não saberia aqui detalhar bem. Ele expressava uma tranqüila surpresa. Alivio. Era um sorriso doce. O lugar ficou ainda mais sereno. Até que disse: “Débora”.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Coisas

Lábios cobertos de cimento.
Almas cheias de concreto.
Boas senhoras que não sabem o que é orgasmo.
Bons senhores que não conseguem sentar no quintal em dias de chuva.
Só falam o necessário.
Os sorrisos não mostram os dentes.
Eles têm uma pedra grande no estômago e pedrinhas na cabeça.
Por isso não conseguem pular para vibrar com o que quer que seja,
Pesa muito.
Se há um peso que não buscam muito carregar é o da Graça.
Homens que não tiram suas mulheres pra dançar.
Acho que essa gente nem canta no chuveiro.
Acostumaram-se com o tempero, não sentem mais nele prazer.
Maquiagem todos os dias? Sei que não gostam de minhas havaianas.

Não gritam de felicidade, prazer ou alegria. Só alteram o tom da voz pra brigar ou impor sua opinião.
Cores sóbrias, movimentos devidamente calculados.
Sim sim, vocês tem bom coração.

Não sentem a alegria da solidão.
Não sentem a alegria de estar junto.
Não há caricias leves.
Não há caricias intensas.
Vocês sabem o que é carícia?
Tocam-se só por cumprimento,
Encostam-se.

Não vêem honra nas lágrimas.
São aquilo que vestem e compram,
Neste mundo grifes valem mais que seus próprios nomes.

Há um grito dentro deles, mas não escutam.
As plantas que eles têm em casa não são do tipo que dá flores. Como pode?
Riram do meu vestido, disseram que parece com o de uma criança.
Pediram-me para não franzir a testa diante dos comentários, mas é involuntário.

Foi bom conhece-los. Amo vocês, mas tenho que partir.
Caso contrário morro. Velórios são chatos e caros.
Ligo e escrevo, ok?
Thau.
Ah sim, antes de ir: aceitam um pedaço de torta de frango?




PS: eles dizem pertencer a Ti. Derrama cura sobre eles, a começar em mim.

sábado, 25 de julho de 2009

Minhas Rosas

Sim, minha felicidade quer fazer feliz,
Toda felicidade quer fazer feliz!
Querem vocês colher minhas rosas?
Terão de curvar-se e esconder-se
Entre rochas e espinheiros,
E com freqüência lamber os dedinhos!

Pois minha felicidade é infantil!
Pois minha felicidade é simples, um pouco traquinas!
Minha felicidade tem dodói!
Ela tem gosto de bala e brigadeiro.
Querem mesmo colher minhas rosas?

(adaptado)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Maioridade

Na Universidade:

- Bom dia!
- Bom dia!
- Eu gostaria de fazer uma solicitação pra dar entrada em alguns documentos.
- Sim, claro. Você tem que preencher um formulário. Espere, você é aluna aqui?
- Sim, por quê? Algum problema?
- Minha filha, quantos anos você tem?


Na Locadora:

- Olá!
- Olá!
- Boa tarde! Eu gostaria de saber quais documentos tenho que trazer pra ser sócia da locadora.
- Bem, só pedimos Identidade, CPF e comprovante de residência. Mas tem que ser maior de idade.
- Como?
- Só aceitamos como sócios maiores de idade.
- Minha senhora, tenho 21 anos de idade.
- Você tem mais de 18?
- Sim, tenho 21.
- Posso ver sua carteira de identidade por favor?
- Ok.
- Não, deixa pra lá, deixa, vou confiar em você.

No Trabalho:

- Boa tarde!
- Boa tarde! Vejo que gostou muito desta blusa, gostaria de experimentá-la ?
- Nossa!
- O que foi?
- Você tem uma carinha de anjo, mas uma voz hein.
- Seria de diaba?

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Salmos 42 e 43

Amigos, não me peçam pra sorrir,
Se estou triste estou triste.
Não se trata de gostar da dor
Só não vejo sentido em esconder o coração.
Se estou feliz danço
Mas se estou triste fico no meu canto.

Porque estás abatida oh minha alma?
Gloriam in Excelsis Deo!

Família, não me perguntem o que há,
Se estou triste estou triste.
Amanhã isso vai passar
Pois sei que esta noite bálsamo minha alma encontrará.
Ele não tardará.
Não tardará.

Porque estás abatida oh minha alma?
Gloriam in Excelsis Deo!

Amor, que direi?
Se estou triste estou triste.
Não quero ouvir de ti nada,
Não quero dizer nada pra ti,
Só queria que estivesses aqui,
Só.

Porque estás triste oh minha alma?
Gloriam in Excelsis Deo!

Satanás, ser imundo! Quão inteligente e astuto és! Que adianta? Glória alguma tens.
Se estou triste estou triste.
É isso que querias de mim ouvir? Está dito.
Sabes o que Ele quer de mim, por isso me atacas.
Inimigo de todas as almas, Inimigo de minha alma.
Pelo sangue do Cordeiro, derrotado estás!

Porque estás triste oh minha alma?
Gloriam in Excelsis Deo!

Deus, Pai santo e poderoso,
Estou triste, muito triste.
Defenda-me e fortaleça-me! Venha aqui!
Contigo não tenho medo.
Sim Deus estou triste,
Suplico: Abraça-me esta noite.


Porque estás abatida oh minha alma? Por quê?
Que importa?
Gloriam in Excelsis Deo!
Gloriam in Excelsis Deo!
Soli Deo Gloria!
Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Salmos 84

Eram cinco os instrumentos de sopro. Não soube identificá-los na hora.
Eram cinco os jovens homens que conduziam os instrumentos.
Era linda a música que tocaram,
Sua glória estava ali!
Senti a beleza do protestantismo, já há algum tempo que não a sentia.
Tudo estava tão lindo,
Harmônico, sereno,
Sua glória estava ali!
Lembrei de Beethoven,
Vi-me vestida de branco,
Um lindo rapaz tinha uma linda barba,
Sua glória estava ali!
Perdi-me entre colcheias e semifusas.
Num momento a melancolia ficou alegre,
A alegria ficou melancólica,
Sua glória estava ali! Ela passeava por aquele Templo.
Os assembleianos tomaram a palavra, tudo mudou de tom.
Sua glória continuava ali!
Pessoas de pele escura, roupas coloridas, pandeiros,
Na África me vi.
Quanta alegria encheu aquele Templo!
Pensei, na sua volta será assim:
Europeus, africanos, americanos,
Batistas, metodistas, assembleianos,
Negros, brancos, corais.
Meu coração vibrava de alegria,
Sua glória estava ali!
Estava nos bancos, nas paredes,
Nos instrumentos, nos lembretes,
No clamor, no ar.
Na barba do lindo rapaz,
Na Sua palavra, nos abraços,
Ela estava também nas lágrimas.
Aleluia! Sua glória estava ali!
Que bom que fui àquele lindo lugar!
Sua glória estava ali!